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Quando digo meu Deus,
afirmo a propriedade.
Há mil deuses pessoais
em nichos da cidade.

Quando digo meu Deus,
crio cumplicidade.
Mais fraco, sou mais forte
do que a desirmandade.

Quando digo meu Deus,
grito minha orfandade.
O rei que me ofereço
rouba-me a liberdade.

Quando digo meu Deus,
choro minha ansiedade.
Não sei que fazer dele
na microeternidade.

Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond

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