Milagres
do Padre Cícero
Texto
de HÉLCIO JOSÉ – Fotos de RUBENS AMÉRICO
Em
1934 morria, em Juazeiro do Norte (Ceará), o Padre Cícero
Romão Batista. Hoje, decorridos 30 anos de sua morte, sua
presença é constante (quase física), e os milagres
que em vida lhe foram atribuídos ainda se repetem, e a comprovação
está nas centenas – melhor dizer milhares – de
peças que simbolizam cada parte do corpo curada, e que chegam
à Casa dos Milagres, depositadas em testemunho às
graças alcançadas pelas preces, orações
e pedidos endereçados à memória do Padre Cícero.
Por tôda a cidade respira-se hoje – passados 30 anos
– do mesmo ar, do mesmo culto e veneração, da
mesma religiosidade, da mesma obediência ao Patriarca de Juazeiro,
como se êle ainda estivesse presente. “Meu
Padim Pade Ciço”
(Meu Padrinho Padre Cícero) é repetido diàriamente
por milhares de pessoas. Com crença fervorosa. E de certa
forma êle está presente. No pensamento, presidindo
a todos os atos dos habitantes da cidade; e, durante o mês
de novembro, sua presença espiritual se faz com mais intensidade
e fervor por ocasião das Romarias. É o Brasil que
vai ao Juazeiro rezar e venerar a memória do Pe. Cícero.
E aguardar novos milagres que a cada ano se repetem. Seus milagres,
como sua figura, são controvertidos. Muito discutidos. Suas
ligações em vida com revolucionários e cangaceiros
têm sido motivo de análises profundas, já do
domínio público. Não entraremos, nesta reportagem,
neste ângulo. O que testemunhamos, o que vimos, o que sentimos
é que hoje os 100 mil habitantes de Juazeiro ainda mantém
o mesmo culto, o mesmo respeito à figura do Patriarca. E
cada ano – sòmente durante as Romarias – mais
de 30 mil pessoas, de tôda a parte do Brasil, comparecem a
Juazeiro para orar pelo Pe. Cícero. Afora os milhares que
visitam a cidade durante os demais meses do ano.
Desde
quando chegou a Juazeiro do Norte (pequeno lugarejo no interior,
esquecido por todos e longe de tudo), até o momento em que
os milagres da Beata Maria Araújo despertaram a atenção
do Brasil e do Mundo, operam-se – na cidade e no Pe. Cícero
– mudanças fundamentais.
Hoje
Juazeiro do Norte é uma cidade moderna. A eletrificação
que se processa no Nordeste – notadamente no Estado do Ceará
– revolucionou uma extensa zona, inclusive o Vale do Cariri,
operando uma transformação social profunda. Do artesanato
se passa à industrialização. Porém,
nem o surto de progresso, nem fator algum, conseguirá apagar
a chama acesa pelo Pe. Cícero.
Ainda
hoje se encontram na cidade muitos dos contemporâneos do Padre.
Um dos que melhor conheceram o Padre Cícero e que inclusive
privou de sua intimidade é o barbeiro Galdino Santos, estabelecido
na praça principal da cidade, e que durante 28 anos foi o
barbeiro do Patriarca. Por conhecê-lo profundamente, por ser
um dos que o veneravam (e ainda veneram), diz-se testemunha de muitos
dos milagres do Padre, e que era êle “homem
bom, simples, puro, cuja única preocupação
se resumia em fazer o bem e distribuir justiça”.
Recorda que velhos, homens, mulheres e crianças eram exemplados
pessoalmente pelo Padre Cícero, com uma palmatória,
quando erravam. Recorda-se, igualmente, das últimas palavras
do Padre, quando morria, a 20 de julho de 1934: “Vou
para o Céu. Rogai a Nossa Senhora por vós todos”.
É o que tem feito. Êle e tôda a população
de Juazeiro do Norte. Ou, como está escrito no ônibus
do Romeiros: “Juazeiro
do Padre Cícero”.
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