Revelado
o segrêdo da Barra da Tijuca
Reportagem de JOÃO MARTINS
O
CASO do “disco
voador”
da Barra da Tijuca é, hoje, história do passado. Para
mim, pessoalmente, êle teve o mérito de despertar a
minha atenção para o enigma que continua a desafiar
a Humanidade. De maio de 1952 para cá, tenho sistemàticamente
levado a efeito uma investigação fria, racional e
organizada no sentido de descobrir o que são êles,
de onde vêm, como são propulsionados e que intuitos
têm os seus possíveis tripulantes. De tempo a tempos,
tenho publicado reportagens ou séries de reportagem, nas
quais levo ao conhecimento do público o resultado dos meus
esforços. Os que acompanham êstes meus escritos, são
testemunhas do critério e do equilíbrio em que tenho
me mantido num assunto tão fácil de descambar para
o sensacionalismo inconseqüente ou para a fantasia desbragada.
Por isso mesmo. tenho hoje o privilégio de ser conhecido
e acatado pelos investigadores mais bem informados e mais sérios
que, no Brasil e em muitos outros países estão empenhados
na pesquisa objetiva e honesta dêste mistério. Para
êsses, o caso da Barra da Tijuca é um dos chamados
“casos clássicos”
da crônica mundial dos “discos
voadores”.
As fotos tiradas naquela ocasião pelo veterano Ed Keffel,
cuja longa vida profissional representa um exemplo de honestidade,
eficiência e amor ao seu trabalho, são, para os homens
que se encontram nos bastidores desta imensa investigação
internacional, um dos documentos mais preciosos e fidedignos.
Isto
tudo não impede, porém, de que haja quem ainda ponha
em dúvida a autenticidade das citadas fotografias, por simples
desconhecimento do assunto ou simples desonestidade. De tempos em
tempos, quando algum caso de “disco
voador”
se torna mais sensacional não falta o aparecimento de alguém
que, em busca de um cartaz fácil, se atire ao ataque das
fotos de Ed Keffel, como se essas fotos fôssem as únicas
que provassem a existência dos “discos”,
como se o incidente da Barra da Tijuca não fôsse apenas
um, dentre milhares de outros. Ora é um fotógrafo
qualquer que, ridiculamente, joga pratos para cima e declara, da
forma mais primária, que êle também pode tirar
fotos de “discos
voadores”...
Ora é um “cientista”,
de almanaque que, buscando desesperadamente estabelecer polêmica
a fim de arranjar publicidade barata para si próprio, investe
da forma mais grosseira e menos “científica”
possível contra êste repórter, contra Keffel,
contra todos os que testemunharam ou levam a sério os “discos
voadores”,
sejam êles civis ou militares, leigos ou técnicos.
Da minha parte, nunca me dei ao trabalho de responder a êsses
adversários gratuitos. Tenho seguido, impertubàvelmente,
no meu caminho, pois de outra forma ficaria encalhado em discussões
inúteis que nem ao menos se poderiam manter em plano elevado.
Atenho-me a fatos. Apresento fatos aos meus leitores. Se alguém
não crê ou se recusa a crer nestes fatos, o problema
não é meu. Mesmo que nunca tive a intenção
de “converter”
ninguém: os “discos
voadores”
não são, para mim, uma questão de crença,
nem uma obsessão. Como repórter, encaro-os como um
fascinante assunto jornalístico. Pessoalmente, estou certo
da tremenda importância que êles podem ter no decurso
da nossa evolução, principalmente nesta época
em que damos os primeiros passos rumo ao nosso satélite e
aos planêtas mais próximos.
Os documentos e o relato que trago hoje aos leitores não
têm, portanto, o sentido de defesa ou justificação.
A presente publicação representa apenas uma consideração
para com todos aquêles (e são a maioria) que formam
ao nosso lado. Conhecendo, desde 1954, o estudo feito pela FAB a
respeito do caso da Barra da Tijuca, eu poderia tê-lo publicado
muito antes, se quisesse colocar-me voluntàriamente na posição
de réu que se defende, ou de acusado que se justifica. Nunca
senti a necessidade de me pôr nessa posição.
Tinha a consciência tranqüila e a satisfação
íntima de contar com a confiança e a amizade dos que
acompanham o assunto, procurando antes, informa-se bastante a respeito,
e dos investigadores civis e militares que poderiam, em sã
consciência, ter uma opinião a respeito. Para mim e
para Keffel, a opinião de um homem como o Cel. Adil de Oliveira
sempre valeu mais do que a de cem amigos gratuitos ou a de cem “descrentes”
sem base.
O que os leitores vêem nestas páginas e o que vão
ler a seguir é o que foi mostrado e dito, na TV Continental,
Canal 9, do Rio de Janeiro, na noite de 11 de outubro, por Fernando
Cleto, na segunda apresentação do seu programa semanal,
já vitorioso, denominado “O
Enigma do Espaço”.
Fernando Cleto é um alto funcionário do Banco do Brasil.
Há mais de dez anos que vem investigando os chamados “discos
voadores”.
É um dos pesquisadores civis mais credenciados no Brasil.
Conta com a colaboração de investigadores civis e
militares, altamente informados a respeito. O que êle revelou,
no seu programa, em absoluta primeira mão, e que vai aqui
reproduzido, ganha ainda maior valor para nós, quando sabemos
que nem êle nem a TV Continental fazem parte dos “Diários
Associados”.
O que vão ler, portanto, é o depoimento de um homem
cuja única ligação conosco é apenas
uma: a honestidade de propósitos, o interêsse de descobrir
e revelar a verdade. Aqui está, sem tirar nem pôr,
o que Fernando Cleto revelou ao seu grande público:
OFICIAIS
DA FAB foram ao local, imediatamente após o caso, e lá
fizeram todas as pesquisas. Posição do sol, distâncias,
trajetória do objeto, jôgo de luzes e sombras, altitude,
tudo foi objeto de estudos que depois, transportados para o papel
e comparados com as fotos, determinaram a autenticidade das mesmas.
Uma análise minuciosa do relato, das várias possibilidades
de fraude, de outros testemunhos surgidas e até mesmo da
vida profissional e da personalidade dos repórteres, foi
realizada. A conclusão foi positiva.
NA BARRA DA TIJUCA, os ofíciais da FAB jogaram uma reprodução
em madeira do “disco”,
para o ar, inúmeras vêzes, tentando reproduzir a seqüência
de cinco fotografias tais como aparecia no filme de Ed Keffel, cujos
negativos não foram cortados. Uma fotografia convincente,
por êsse processo, é possível obter-se, dentre
muitas que se botam. Entretanto, uma seqüência de cinco,
em várias posições, é pràticamente
impossível de ser batida em seguida. Além de tudo,
foram determinadas tècnicamente as distâncias do objeto.
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